O diagnóstico de epilepsia em crianças é complexo e exige uma história médica detalhada, com atenção à descrição das características da crise observada pela família ou responsáveis. Dados como a idade na primeira crise, duração, frequência, sintomas observados antes, durante e após a crise, nível de consciência da criança durante o episódio e a presença de possíveis desencadeantes (febre, infecção, doenças concomitantes) auxiliam o médico a diagnosticar e tratar adequadamente a doença. O registro das crises em vídeo é de extrema valia, devendo ser feito sempre que possível.

O que é epilepsia?

Por definição, epilepsia é a ocorrência de duas crises convulsivas não-provocadas, ou seja, duas crises de natureza epiléptica inesperadas, em intervalo >24h, não causadas por problemas como infecção, desidratação, traumatismo cranioencefálico (“batida na cabeça”), hipoglicemia (“açúcar baixo no sangue”) ou febre, p.ex.

O que é convulsão?

Utiliza-se a palavra “convulsão” para se referir a um tipo específico de crise epiléptica, a mais comum e mais frequentemente reconhecida – a chamada crise tônico-clônico generalizada. Nesse tipo de crise (convulsão), o indivíduo deixa de responder a estímulos do ambiente (não percebe o que está acontecendo), ocorre um enrijecimento ou contorção do corpo (aumento do tônus), seguido por movimentos de contração repetida, tipicamente de braços e pernas.

Há, no entanto, diversos outros tipos de crises epilépticas mais sutis, com ou sem perda de consciência, com ou sem mudança do tônus muscular e com ou sem presença de movimentos repetitivos associados.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito com base na história médica e na descrição das crises, sendo úteis exames complementares, como eletroencefalograma e exames de imagem (ressonância magnética cerebral).

Quais as opções de tratamento?

Existem diversos medicamentos anti-epilépticos, cabendo ao médico selecionar o mais indicado em cada caso. Nenhum medicamento é isento de possíveis eventos adversos ou efeitos colaterais, devendo a indicação ser feita de forma criteriosa. Nem toda a epilepsia exige tratamento medicamentoso. Politerapia, ou seja, o uso concomitante de mais de um medicamento anti-epiléptico, deve ser restrita a casos refratários. Embora em sua maioria esses fármacos não sejam específicos para um ou outro tipo de crise, alguns estão contra-indicados, podendo inclusive agravar as crises.

E no caso de epilepsias refratárias?

Opções como canabidiol estão reservadas para algumas síndromes associadas a epilepsia de difícil controle (p.ex. síndrome de Dravet e Lennox-Gastaut). Devem ser avaliadas também as possibilidades de tratamento cirúrgico e dietético (dieta cetogênica).